Comentário à proposta de Redação do ENEM 2011

O tema proposto foi Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado. Além de posicionar-se em relação ao tema, o candidato deveria apre sentar “proposta de conscientização social”, ou seja,indicar possíveis formas de promover a coexistência harmoniosa do público e do privado nas redes sociais.
Cabe louvar a iniciativa da Banca Examinadora pela escolha de tema tão familiar aos jovens brasileiros, em sua maioria internautas adeptos de redes sociais como Facebook e Twitter, entre outras.

Para produzir sua dissertação, o candidato contou com três “textos motivadores”. O primeiro (Liberdade sem fio) anuncia decisão da ONU (Organização das Nações Unidas) de universalizar o acesso à rede,tratado a partir de julho do ano corrente como “direito fundamental”. Já o segundo texto (A Internet tem ouvidos e memória), ao mesmo tempo em que comemora o crescente número de brasileiros “socializados”,alerta para os riscos inerentes à exposição inconsequente ao que é propagado na rede. No terceiro texto, apresentado na forma de uma tira, o indivíduo reclama inutilmente do monitoramento a que é exposto o tempo todo, propondo uma luta inglória contra a “Sociedade do Controle”. Além desses textos,o tema também foi abordado em algumas questões da prova de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias.

De posse desses estímulos, o estudante deveria proceder à própria análise de tal fenômeno, objeto de preocupação de educadores e especialistas. Caberia, primeiramente, reconhecer o caráter definitivo das redes sociais no cotidiano da sociedade, sobretudo dos jovens, que têm encontrado nessas formas de intera -ção oportunidades não apenas de ampliar seu círculo de relações, mas também de se mobilizarem em torno de causas sociais e políticas, a exemplo das recentes marchas contra a corrupção, idealizadas inicialmente nas redes sociais. Feita essa constatação, seria apropriado refletir sobre até que ponto os internautas, entusiasmados com tais inovações, estariam tomando precauções para preservar sua intimidade – poupando-se assim da sanha de indivíduos  mal-intencionados – ou se, em busca de popularidade, estariam se expondo sem reservas, alheios aos riscos decorrentes desse comportamento.

Na conclusão de suas considerações, o candidato deveria propor uma possível saída para o embate apresentado. Qualquer que fosse sua posição, porém,discernimento e equilíbrio deveriam pautar a delimitação do que seja público e do que seja privado, ora separados por fronteira tênue, quase indistinguível.

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